"Cem novos profissionais contratados em dez dias? Não tem como!"
A secretária municipal de Educação de Brusque, Gleusa Luci Fischer, afirmou em entrevista ao Jornal da Cidade desta terça-feira (17) que a procuradoria-geral da prefeitura irá recorrer até a última instância da liminar judicial que determina que, em um prazo de dez dias, o município deverá oferecer vagas para crianças de zero a seis anos de idade nas creches. Ou então alocar vagas para as crianças em creches da rede privada.
Conforme a secretária, são 700 crianças que estão pré-matriculadas à espera de vagas. Para tanto, é necessária a contratação de mais de cem profissionais, o que ela entende ser impossível de se conseguir em um curto espaço de tempo pessoas para preencher tais vagas, pois existem procedimentos legais. Neste ano foram feitos quatro processos seletivos e, mesmo assim, muitas vagas não foram preenchidas ainda. O município continua precisando de merendeiras, serventes e profissionais qualificados.
Ainda em relação à argumentação feita pelo promotor de justiça Alexandre Carrinho Muniz, a secretária disse que, das nove ações às quais ele se refere, três destas crianças já freqüentam as creches do município, outras quatro retornaram para suas cidades de origem e duas não foram localizadas pela secretaria. A multa imposta pela justiça à secretaria de Educação é de R$ 1 mil por dia por criança não matriculada. O mesmo valor também terá de ser pago pela própria secretária Gleusa Fischer.
Somados os dois valores, a multa chegaria a R$ 2 mil por dia. Multiplicados por 700 crianças, o valor diário seria de R$ 1.400.000. A secretária reafirmou que mesmo com os avanços que houve na educação, não há espaço físico suficiente para conseguir atender a demanda ou suporte financeiro para arcar com despesas desse porte. A própria lei de responsabilidade fiscal do município não permite isso, segundo ela. "Resta tão somente a procuradoria-geral recorrer até a última instância desta liminar", finalizou Gleusa Luci Fischer.


